Ensaios que cansei de guardar para mim.

Oxodarap ←

Seja comunicador e você sentirá dificuldade em se comunicar
Seja administrador e você terá dificuldade em administrar seu dia
Seja nutricionista e você terá dificuldade em se alimentar de forma saudável
Seja psicólogo e você terá diversos problemas pessoais e familiares
Seja advogado e você perderá a noção do que é certo e errado
Seja médico e você não saberá o que fazer quando sua filha estiver com febre
Seja estilista e você não saberá mais se vestir
Seja arquiteto e você não ficará mais do que 2 horas acordado em sua casa
Seja fisioterapeuta e você terá problemas de articulação
Seja jornalista e você não saberá mais o quê escrever
Seja economista e você pagará mais contas do que pode pagar o seu salário
Seja pedagogo e você terá dificuldade de explicar qualquer coisa
Seja engenheiro e você não saberá reconstruir e reformar a sua casa
Seja dona de casa e você passará mais tempo na rua do que em casa
Seja palhaço e você não conseguirá se animar
Seja artista e você descobrirá o mundo p&b
Seja lixeiro e você se verá jogando lixo no chão
Seja prostituta e você não saberá fazer amor
Seja presidente e você perderá as raízes de sua nação.

Goodbye?

Talvez este seja o meu último ensaio. Talvez não. Mas a verdade é que seria muito interessante se fosse.
Não é de hoje que a ciência de que a internet não é a melhor invenção de todos os tempos já está começando a aparecer. Assim como uma criança se diverte com um brinquedo novo e logo, de tanto brincar, se cansa e o abandona, nós estamos encantados com o novo brinquedo “internet”, e mais ainda com as “redes sociais”, mas eu, pelo menos, já estou começando a cansar. É, o brinquedo é legal: podemos conhecer o mundo com apenas um clique. É possível trocar informações (notícias, acontecimentos, conversas…) de forma instantânea com qualquer pessoa do mundo!, realmente, é o brinquedo mais legal que já inventaram, como substituição para o teletransporte. O problema é que não é um teletransporte. E acontece que “fingir que é” e/ou ”achar que está” começam demonstrar consequências da internet não muito boas para o ser humano – que já tem lá os seus “defeitos de fábrica”, mas que não vem ao caso neste momento -, com a aparição de um grande número, e cada vez maior, de pessoas com depressão e outras doenças, como dores em partes do corpo e até cânceres. De repente? O mundo vai acabar em 2012? O planeta está revoltado com os humanos e está nos castigando? Bullshit! Sou nova (mas não sou idiota), e a meu modo de ver: com o boom! do capitalismo em 1989, a concorrência estabelecida por ele estimulou a insanidade entre as pessoas comuns para que sua marca “ganhasse” ao vender mais para os seus consumidores e ao obter maior lucro, o que provocou o ímpeto nos membros das organizações de “estar sempre a frente”. Está sempre a frente aquele que corre ou aquele que espera “a morte da bezerra”? Correria na certa!; e ainda, com a tal da globalização, que surgiu por intermédio da internet, que possibilita “estar presente” no mundo inteiro, e essa instantaneidade toda que ela proporciona, em que tudo acontece aqui e agora, estão deixando o ser humano virado de ponta cabeça. O pior é que ninguém se pergunta o porquê de tudo isso. Mas, é claro, não se esquece de perguntar o porquê de suas dores de cabeça e depressões.
Ainda, com toda a loucura da globalização e da notícia de forma instantânea, concordem que o número de notícias, informações e acontecimentos aumentou (bem como o conhecimento de segredos, culturas e costumes, corrupções e demagogias de outras localidades que se tornaram possíveis de se descobrir, mas que não vem ao caso neste momento, também -, e com isso, essa grande quantidade de informação elevada à x potência, com clareza, não é totalmente repassada, ou seja, a informação que obtemos está pela metade: “Informação de mais é informação de menos”, o que nos faz formar opiniões e tirar conclusões precipitadas e, por isso muitas vezes, erradas sobre determinados assuntos lançados de diversas formas e maneiras diferentes por pessoas com opiniões diferentes, que trazem em seus discursos toda a bagagem de experiência e vivência que têm, enquanto, a verdade dos fatos é outra.
Por isso, e ainda, há quem diga que a questão da frase “informação de mais, é informação de menos” é uma ação pensada de quem está no comando das redes de informação. Não se pergunte quem são, pois você pode ficar bem chocado e preocupado com o que anda ouvindo e lendo nos noticiários, mas a manipulação da informação é real, acontece e distorce o seu mundo sem que você perceba, inconscientemente. Este bombardeio de informações, novidades e acontecimentos; essa correria do capitalismo e da atividade, da tarefa do chefe da empresa, brigando com todas as coisas boas e divertidas que queremos fazer e também o querer estar com as pessoas estão podando a arte de pensar, de parar e pensar, de analisar. Você é analista, mas tem que fazer e entregar o seu trabalho em um prazo impossível para que seja feita uma análise. Você só consegue fazer um parecer, um comentário, indicar um caminho. E claro, sempre é pouco. A exigência fica cada vez maior, e o tempo cada vez menor. Nada fica bom. Nada se aprofunda, nem se completa. As pessoas estão perdendo a capacidade de encadear linhas de pensamento textuais simples e lógicas. As profissões estão perdendo suas competências.
Eu cansei. Todo mundo já sabe disso, mas não sei porquê ninguém se questiona. Sempre ouço: “Ah! Mas a vida é assim, né?!”, ou “Mas agora é assim, nós temos que seguir o fluxo”, ou “Não tem como ser diferente, vamos falar com as pessoas como?”, mas me pergunto: como as pessoas se falavam antes?, ou quem decidiu que tudo seria assim? Alguém, certo? Então, porque não você, você, ou você?!; e penso: pelo menos, saibamos administrar usando adequadamente, vulgo, pouco, e a aprofundar as informações que recebemos fazendo outras pesquisando e buscando olhar a notícia por todos os lados pensando, como diria nosso caro Peter Burke, nos perguntar: “Quem está me dizendo isso? E para quê?”, elaborar um trabalho de maneira profunda e completa (deixem que gritem que o prazo está acabando! – explique que com mais prazo pode ficar melhor), e voltemos a estar com nossos amigos de verdade, ao invés de estarmos virtualmente. Parar para respirar. Parar para pensar. Parar para analisar. Parar para pesquisar. Parar para elaborar. Parar para formular. Parar para, enfim, opinar. Parar para mudar. Parar para viver.
Além do mais, está mais do que claro e sabido decor de salteado que as redes sociais são mesmo usadas é para mostrar o quão feliz você está, e por isso, mais do que claro que está cheio de hipocrisia: “Ai, olha como eu estou magra!”, “Olha como meu cabelo ficou lindo!”, “Hoje vou pra balada e beber várias com a galera.”, “Meu amor disse que me ama hoje!” digo, o que isso acrescenta para quem está lendo? I mean, who cares? E pior, é mentira! Porque se você realmente estivesse “happy”, você nem estaria olhando para o seu celular e precisando tanto (quase morrendo) compartilhar este momento, pois você estaria ocupada sendo feliz. (Aliás falando em feliz, vou puxar um parenteses louco aqui para dizer que buscar a felicidade é a maior idiotice do ser humano neste novo milênio. É igual procurar “agulha no palheiro”, que merda é essa?: “Qual o seu objetivo de vida? – “Ser feliz”, mas deveria responder “A busca incessante” porque querida, é impossível. Não existe felicidade, sem tristeza. Então, você nunca vai ser feliz, porque alguma hora você vai ter que ser triste, logo, não será feliz. Principalmente, porque felicidade é um estado e não um ser, você pode estar feliz, mas jamais ser feliz. Chega disso, ein, pelo amor de “D”eus!). Para concluir o pensamento anterior: “A internet e as redes sociais aproximam quem está longe, e afastam quem está perto”.
Com isso (tudo), não que eu ache que as redes sociais e a internet são ruins, não. Só tenho a (leve) impressão de que estão sendo usadas demasiadamente erradas, ou erroneamente de forma excessiva em atividades desnecessárias. Por isso, procurarei me ausentar das mesmas por um tempo, talvez um mês para começar e utilizar o tempo em que estaria nelas para aprofundar notícias (no caso da máfia da mídia), para sim, estar com os meus amigos, familiares, conhecidos e viver momentos intensos e não apenas o começo deles – porque o resto do momento eu estaria colocando nas redes sociais via celular -, e enfim, me sentir mais leve e deixar a minha mente mais livre para que outras ocupações mais importantes e interessantes tomem conta dela de forma integral.
“A Tartaruga vive mais porque vive devagar.”
Câmbio, e desligo.

To make decisions

Since I’ve got 18 years old, each day is a new day for make decisions and each day is for make bigger decisions. But I don’t care about decisions, that’s the problem. I mean, certainly I care for my decisions, but what kind of decision? For what or why you are taking that decision? And guess what?! All answers that I’ve usually heard can be resumed by “…for me…”.  And sincerely, I don’t think I came until here for keeping thinking about make decisions for me. Oh, no! This seems to me the most stupid human behavior. But we are failing, cause everyone does that and nobody can break this behavior, yes, it’s difficult. But tell me if you don’t agree with this, let me know. Well, we all know. And I know some people who likes to help others and likes to think for all, but even them take decisions for yourself, for your benefits. So, what’s wrong? Is it possible to change? Is it some kind of mad status of mind which we carry from the beginning? And if it is… why couldn’t we start to change this thought?
Don’t you see? The world is ALL ABOUT CREATING!
Never existed the behavior, someone named it.
Never existed right or wrong, someone said it.
Never existed better or worst people, someone thought in it.
Never existed separate countries, someone did it.
Never existed obligations for work, someone told to it.
Never existed limit for natural sources, someone played with it.
Never existed money, someone made it.
Never existed laws, someone wrote it.
Never existed society, someone created it.

Don’t lose your mind discovering that nothing exists. Keep creating all the fantasy, but create for good. Someone is us. So we can re-create any and everything (again).

Oh, yes, I might be some hypocrite, ignorant, selfish, stupid, strange and mad girl, yeah!

Partiu

É tão difícil partir. E eu não estou falando de mudar de cidade. Também não estou falando de seguir seu caminho e seus objetivos. Não, também não estou falando de morrer. Quer parar de tentar adivinhar? Estou falando de se jogar, não! não é o tal do “se joga!” nem “arrasa”. Você não vai parar mesmo com essa inquietação? Estou tentando construir uma linha de pensamento aqui. Obrigada. Estou, finalmente, falando de entrega, ai, não! eu desisto. Você não me deixa continuar, não estou falando de entrega delivery também. É de algo muito mais distante do que entregar uma pizza, mais profundo do que “se joga!”, bem mais estranho do que mudar de cidade e ir atrás de seus objetivos, além de ser algo imensamento mais vivo do que morrer. E é tão difícil, que como você bem participou, é quase impossível de descrever e compreender. Algo bem pessoal, mas ao mesmo e de alguma forma, um senso comum.
É, 2012 veio desse jeito. Com pinta de bonzão, mostrando que pode ser transformador e cheio de proibições: nada de seguir o script; nem pensar em repetir clichês; chega de frases prontas, e apagou o que chamamos de “rastro” do chão desde lá de trás até o ponto 0, onde estou agora – e permaneço a cada novo dia -, tornando o caminho a frente numa coisa só, pronta para ser riscada. Entendeu o que eu disse? Ele apagou! Apagou tudo! Mas calma, não, ele não deletou. Ele apagou apenas o rastro e o separou como o montinho de folhas secas de inverno que o jardineiro reservou ao varrer o jardim. E e ele está lá, ainda, mas é como a sessão reservada da biblioteca misteriosa de uma cidade cheia de segredos: está interditado.
Não é que eu esteja achando ruim, também. Ou talvez eu esteja, porque o fácil é atraente. Mas, confesso que estou achando difícil, ou no mínimo, complicado. No início, parecia um mar de rosas e, quando notei o que estava acontecendo de fato, senti até um alívio: não aguentava mais ficar riscando em cima do riscado, minha vida estava parecendo o desenho da criança que acabou de aprender que “azul com amarelo dá verde”, “rosa com azul dá roxo”, “preto é a mistura de todas as cores”, “dobrar a folha ao meio faz o desenho ficar simétrico”, “acrescentar um toque especial de casquinha de apontador de lápis, glitter e lantejola” e “pintar tudo isso com o próprio dedo” é a coisa mais legal do universo, e era em cima disso que eu estava querendo desenhar coisas novas. Insane é a palavra! Mas agora que estou analisando a folha em branco, quase posso ouvir aquele som carregado de significados do Windows: PAN! de erro. Afinal, o Tudo é Nada e o Nada é Tudo. Concorda? Se antes já tinha Tudo no meu papel, então não teria mais Nada. Mas agora não tem Nada, e pode haver Tudo. Tudo! É realmente muita coisa, e para uma pessoa que não sabe muito a definição da palavra “escolha” – é, eu não sei, sempre quero as duas opções -, eu diria que 2012 está pregando uma peça na humanidade. Isso é um teste! Você consegue parar de fazer o óbvio? Consegue dar o passo para este “novo” que nem você sabe no que vai dar? E consegue recriar a partir de uma partícula de O2 vaga no ar que respira uma molécula totalmente nova, sem nome nem endereço? Reinventar…
a Sociedade?!

Quando leio Clarice

Não pude deixar de notar que, pela terceira vez consecutiva, ao ler Clarice algo estranho me acontece. Por entre os comentários estapafúrdios de conhecidos ao léu, a essa estranheza ja fora dado o nome de Melancolia, e até mesmo de Instante Depressivo. Porém, assumindo que o ponto de vista é algo tão individual quanto cada genital, para ser bem expressiva, temo ao admitir que não é possível nomear a sensação única que me ocorre e transpassa por entre meus músculos e veias a partir do ventre, atingindo e tomando conta do meu pulmão, que alcança o meu coração e arrepia a flor da pele deixando um belo nó em meu cérebro. Ainda não inventaram definição para todo este turbilhão de vivências físicas, das quais a alma, finalmente, tem acesso. E todo este não-nomeado turbilhão não se dá através da leitura única do livro, ou seja, não se dá de forma gradual conforme meus olhos devoram as 180 páginas. Mas a cada frase. E se intensifica a cada parágrafo. Pode imaginar? Não dá para ler Clarice continuamente, pois essa sequência, essa cadência, essa fissura, da repetição traz o caos em mim – o que é acertivo, já que do caos se sucede a reorganização -, que anseia por uma pausa, um recolhimento, uma refação da estrutura anterior. Cada pausa é consequência, ainda, de muita insistência na continuação da leitura. De inquietudes da mente que foram pendurados num canto secreto para serem avaliados futuramente. De muitos turbilhões, que sobem e descem as sensações mais incômodas e reverberantes que o corpo físico já pudera vivenciar. Da dor frustrante de pedaços que me são dilacerados e jogados ao chão para que possam ser contemplados por seu símbolo único despido de quaisquer conotações, que me são dilacerados sob avaliação criteriosa do porquê preciso me livrar de cada um deles. Eu faço a pausa. E em meio a tanto sangue jorrado, tanto grito de agonia, tanta respiração sufocada e do pedido de socorro da carne. Ah! Lá está ela! (na pausa) Límpida. Cristalina. Pura. Está iluminada como nova. Está despida de definição. Está desprendida de senso comum. É a minha alma vazia de materialidade, cheia de vitalidade. É a busca incessante da carne que chega ao fim, pois a claridade da minha alma faz sumir a venda que me foi imposta nos olhos e faz surgir um mundo de infinitas trilhas. É a minha alma que me salva de um cubículo ao passar por um pequeno racho situado em uma das quatro paredes e que, ao passar, abandona penosamente o que não lhe é realmente necessário, e que, ainda, me surpreende quando me permite comparar o tamanho do que eu vivia com o tamanho do que posso viver. Como a própria, quando leio Clarice o que me acontece é totalmente paradoxal: a brutalidade da verdade que me é esbofetada na cara reflete a fragilidade da alma que me é revelada. Uma inspiração.

Dois mil e doze

É dia trinta e um de dezembro de dois mil e onze. São dez horas e três minutos, é esperado o momento em que o relógio alcançará às onze horas e cinquenta e nove minutos – seria mentira dizer que é esperado o alcance das zero horas e zero minutos, afinal, qual seria a graça deste momento sem a enigmática contagem dos dez segundos? -, e é preciso se preparar, não apenas para o evento, mas para o que se segue. Enfrentou trezentos e sessenta e cinco dias,  mas ainda não está pronto. Os olhos famintos correm por cada momento vivido à procura de lembranças das fortes emoções, dos vestígios de alegrias curtidas e dores sofridas, de paradigmas quebrados e, enfim, das tão almejadas e esperadas mudanças evolutivas pessoais. Nem tudo está contido no rastro de imagens deixado como pista para que você possa seguir para a próxima fase, como num videogame – e seria muito dizer que se tem como pista um terço do trajeto -, e de pensar nisso, o nervoso toma conta do corpo e da mente deixando somente a culpa por não ter prestado atenção no que viveu, não ter vivido de corpo e alma, chega de pensar nisso!…Volta para o dia trinta e um de dezembro e o relógio te faz uma ameaça: são dez horas e quarenta e sete minutos. Os pensamentos são jogados ao vento, e a célebre frase é dita: “o que tiver que ser, será”. A roupa certa e perfeita foi escolhida a dedo há meses atrás, pois tem que ser uma roupa xyz ou xpto que expresse este trânsito. Uma mistura do que ficou para trás, e do que virá pela frente. Deve contar um pedaço do que foi, e um buraco do que será. Um dose de personalidade presente e autêntica que o acompanha desde o quê? os 7 anos? – ano da formação do caráter. E o mais importante, a cor da virada: ela representa de onde vem, e para onde vai; é a bússola que aponta e, assim, atrai os novos caminhos. Mas, de repente, essa talvez não seja mais a roupa certa, a correria do inesperado traz o caos e tudo agora parece incerteza. Finalmente, eles chegaram: distração. O Branco e o Colorido conversam na sala muito empolgados. O Confortável e o Glamuroso se abraçam com respeito. Rostos iluminados de esperança e Sorrisos de agônias e incertezas mostram seus dentes em comemoração. Está quase tudo pronto, à espera das onze horas e cinquenta e nove minutos do dia trinta e um de dezembro de dois mil e onze. Agora não há mais o que pensar, e a frase “o que tiver que ser, será” se torna definitiva. Os minutos se aproximam e, ao mesmo tempo, estão tão longe. Passou tão rápido e, no entanto, ainda falta tanto tempo. É hora de ir. Estão todos aqui? Não pode faltar ninguém. À caminho da praia, essa é hora…de buscar as sensações do momento, farejar o vento que toca no rosto os planos, metas e objetivos que serão traçados a partir deste retorno em uma folha de papel com o título: “Lista de dois mil e doze”.  O olho percorre imagens ao redor e capta. Pura harmonia. Pura sintonia. Enfim, um momento entre aqueles trezentos e sessenta e cinco dias em que toda a humanidade vibra na mesma frequência. Em que, finalmente, há um conjunto de seres humanos unindo forças para um mesmo motivo. Sensação de um passo a frente, não apenas único, mas coletivo. Êxtase. Uma frase: “Agora vai!”. Esperança. Crença. Promessa. Meta. Cada passo é um passo a menos para alcançar o amanhã. No relógio de Brasília, as onze horas e cinquenta e cinco minutos testam a matemática para que daqui a quatro minutos e cinquenta segundos o planeta Terra conte bem alto os então esperados dez segundos: dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um!
Dois mil e doze.

Palavras de um conhecimento bom

Nada mais, nada menos do que um universo de possibilidades.
Tudo sabe. Nada sabe. E quanto mais se sabe, nota-se que menos se sabe. É sem limite. É contínuo. Termina. E recomeça. É ciclo contido de uma massa de ar, nem sempre quente, que circunda pedaços de terra, dos quais os seres são capazes de decodificar. Transforma, modifica, qualifica: ”Mudança de ares”.
Está presente. Não tem nome, nem dono. Tem trajeto. Tem sentido, em todos os sentidos. Traz à tona e pede auxílio. Tem para todos. Só não está “disponível”.
Não é moda, nem acessório. Não está nas vitrines, nem em seus bens de consumo. Não é o significante, nem o significado de “dar passos largos”: não é esperto. Tem integridade. É sublime.
Não tem denotação, e é bombardeado de conotação. Explicita. Aponta problema. Indica caminho. Engana, para provar de sua atenção. É um start para quem captou. Uma passagem para quem topou.
É a busca individual pelo saber de forma constante, de quem tem a sede de resposta; de, apenas, quem tem a fome de questionar.
É livre.
Inspira o espírito. Enlouquece o ego.
Nada mais, nada menos do que um universo de possibilidades.


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